
Mocidade Alegre 2024
CARNAVAL SP 2024
G. R. C. Escola de Samba Mocidade Alegre


FICHA TÉCNICA
Fundação: 24/9/1967
Presidente: Solange Cruz Bichara Rezende
Carnavalesco: Jorge Silveira
Mestre de Bateria: Mestre Sombra
Casal de mestre-sala e porta-bandeira: Diego Motta e Natália Lago
Direção de Carnaval: Junior Dentista
Direção de Harmonia: Magno Oliveira
Rainha de bateria: Aline Oliveira
Coreógrafo da Comissão de Frente: Jhean Allex
Colocação em 2023: Campeã – grupo Especial
HISTÓRIA DA MOCIDADE ALEGRE
Embora a fundação oficial da Mocidade Alegre tenha sido em 24 de setembro de 1967, sua história começa quase 20 anos antes. São seis décadas marcadas principalmente pelos fortes laços familiares entre seus integrantes e pelo reconhecimento, respeito e carinho por parte de sambistas de São Paulo e também de outras cidades. Essa é a história da minha, da sua, da nossa Mocidade Alegre, a Morada do Samba.
A Federação das Escolas de Samba de São Paulo surgiu em meados de 1967, época em que o jornalista Moraes Sarmento convocou todas as escolas, blocos e cordões carnavalescos para organizarem o carnaval de 1968. As reuniões ocorriam no Paulistano, na Rua da Glória. Tendo como base o estatuto dos Acadêmicos do Peruche, foi feito o da Mocidade, que em 24 de setembro de 1967 se transformou em Grêmio Recreativo Mocidade Alegre, tendo como primeiro presidente o Sr. Juarez da Cruz. Além de Juarez, também participaram da fundação seus irmãos Salvador e Carlos Augusto, Ademar Nunes, Ailton de Paula (Gordo), Antonio Ciullada e José Maria do Nascimento.
Também foi fundamental, nessa fase, a participação do casal Mingo e Olga – esta viria a ser porta-bandeira da agremiação, Nely – por muitos anos a secretária da escola – e Laila Cruz, que era irmã de Juarez, Carlos e Salvador e esposa do fundador Antonio Ciullada.
A escolha das cores oficiais teve que obedecer a uma convenção de que seria uma combinação original, diferente das já existentes nas agremiações da cidade. Pedro Tambellini sugeriu o vermelho e o verde, cores complementares que permitem uma grande gama de tons dégradés; como símbolo da escola, criou-se um desenho de tradução literal: um casal de jovens (“mocidade”) tocando e dançando (“alegres”). O pavilhão oficial da agremiação foi defendido até o momento por apenas seis porta-bandeiras: Vera (1967 a 1969), Olga (1970 a 1977), Eneidir (1978 a 1981), Sônia (1982 a 2002) e Adriana (2003 a 2012) e Karina (desde 2013) – todas elas bailarinas incomparáveis, que construíram a tradição da Morada do Samba de trazer sempre grandes porta-bandeiras. De todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira que protagonizaram essa tradição, um marcou profundamente a identidade deste quesito no carnaval paulistano: Murilo (que recebeu o título de “O Bailarino”) e Sônia. A graça e a elegância desse casal tornaram-se uma referência – até os dias atuais – para diversos casais de todas as agremiações.
Para o Carnaval de 1968, o tema escolhido foi “Índios do Brasil”. Como havia 180 componentes, mas todos pobres, o único recurso foi apelar mais uma vez para a direção do Peg Pag. Valeu a pena. Havia um carro alegórico representando as selvas brasileiras com uma cascata mantida a partir de um tanque d’água, movida por uma bomba a gasolina. Faróis de milha iluminavam tudo. A Mocidade estava pronta para desfilar às nove horas da noite.
Quando acabaram de chegar próximo ao Lord Hotel, Juarez foi procurado pelos componentes da Federação, que expuseram o problema: o Rei Momo que deveria abrir o desfile num carro dos bombeiros se atrasou e o carro já havia passado.Ele não poderia descer a avenida a pé, afinal era rei.
As crianças, representado os curumins, foram retiradas da plataforma e substituídas pelos quase 200 quilos do Rei Momo. O peso foi tão desproporcional que o motor deixou de funcionar, e com ele a cascata de águas límpidas. Terminada a apuração veio o resultado: Mocidade Alegre em 5º lugar, penúltima escola.
Naquela época os ensaios eram realizados nas ruas de Vila Mariana. Os quietos moradores denunciaram várias vezes os componentes à policia, dizendo serem marginais. O jeito foi transferir os ensaios para um terreno vago na Pompéia de propriedade do Peg e Pag, onde aos domingos se jogava futebol pela manhã, churrasco à tarde e à noite, os ensaios.
O batuque atraia aos poucos os grandes nomes do samba de São Paulo, que foram chegando e transmitindo conhecimentos, Dráusio da Cruz, da Escola de Samba Império do Samba de Santos, começou a ensaiar os passistas e ritmistas. Estreitando os laços entre as escolas, e a Mocidade Alegre ganhava assim a sua nobre madrinha.
Neste ano, 1969, o tema escolhido foi “Na Corte de Nero”. A Mocidade Alegre ganhou o primeiro lugar. Passou assim para o segundo grupo, transformando-se de bloco carnavalesco em escola de samba.
LETRA DO SAMBA ENREDO 2024
"Brasiléia Desvairada: a Busca de Mário de Andrade por um País"
Autores: Biro Biro, Turko, Gui Cruz, Rafa do Cavaco, Minuetto, João Osasco, Imperial, Maradona, Portuga, Fabio Souza, Daniel Katar e Vitor Gabriel
Intérprete: Igor Sorriso
Letra
Sou dessa terra Filho da garoa fina
Onde a dura poesia, me fez arlequim
Retalho de um delírio insano, Sagrado e profano, por tantos brasis
Trilhando caminhos de crença e paz
Dourado é teu chão… oh Minas Gerais!
Eu vi no traço genial
A arte barroca, um dom divinal
Jangadeiro ê… no banzeiro
No balanço navego teu rio-mar
Pra conhecer o teu sabor Marajó
Tem batuque na gira do carimbó
Baque virado, marimba na congada
Noite enluarada, no maracatu da Casa Real
Fechei o corpo no catimbó
No frevo, saudade só
Me embriaguei de carnaval
Oh Brasiléia Desvairada
Onde a poesia fez morada
De cada lembrança, escrevo a história
Batizada no samba de Pirapora
O tambor me chamou, pra firmar no terreiro
Em cada verso, sentimento verdadeiro
Bordei um país de felicidade
Na voz da minha Mocidade
